segunda-feira, 4 de março de 2019

O simbolismo da borboleta

O simbolismo da borboleta

A borboleta é um dos símbolos mais acarinhados tanto na cultura Ocidental como no Oriente. A beleza das suas asas coloridas e a delicadeza e graciosidade com que atravessa os céus trazem-nos uma mensagem de esperança e de alegria, fazendo-nos confiar que é possível passar por cima de todos os obstáculos, vivendo com beleza e pureza.

Para os Gregos, a alma era representada como uma mulher com asas de borboleta. Quando alguém morria, a sua alma deixava o corpo na forma de uma borboleta que saía a voar.
Os japoneses associam a borboleta à figura da mulher, elegante e graciosa, melhor representada pela gueixa. O casamento feliz é simbolizado por duas borboletas juntas, uma representa o homem, a outra, a mulher.
A psicanálise associa a borboleta ao renascimento; na maior parte das culturas é este o seu simbolismo.

Ver uma borboleta anuncia uma importante transformação na nossa vida, uma visita ou (menos frequentemente) a partida de alguém. Regra geral, ela traz felicidade e renovação, lembrando que todas as coisas são passageiras, devendo ser aproveitadas no momento presente.

A lagarta que se desenvolve dentro do casulo e dá origem a uma linda borboleta de asas coloridas lembra-nos que todas as fases na nossa vida, mesmo as mais difíceis, são passagens para etapas melhores. A borboleta está ainda associada, no Cristianismo, à vida, morte e ressurreição de Cristo. Para o Espiritismo, simboliza a reencarnação.
À medida que vivemos os desafios que a vida nos traz e os superamos, aprendemos com a experiência e transformamo-nos num ser humano melhor e mais capaz.

A cor de cada borboleta tem um significado especial:

Borboleta Branca - paz, leveza, serenidade, diz-lhe que tudo vai correr bem.
Borboleta Amarela - representa a renovação, anuncia mudanças e ventos favoráveis.
Borboleta azul - simboliza a evolução e o crescimento, podendo anunciar novidades positivas no campo profissional ou familiar.
Borboleta colorida - traz alegria e felicidade.
Borboleta preta - esta é a menos auspiciosa, os antigos acreditavam que ver uma borboleta preta anunciava uma morte ou uma separação dolorosa.
Ver uma mariposa é sinônimo de paixão. A mariposa é atraída para a luz, que acaba por matá-la, queimando-a, assim como nos deixamos por vezes cegar pelas paixões. Pode, ainda, representar, a presença de um espírito de alguém que já faleceu.
A borboleta é considerada o símbolo da transformação, da felicidade, da beleza, da inconstância, da efemeridade da natureza e da renovação, mas há inúmeros significados atribuídos à simbologia das borboletas.

A borboleta é o símbolo do renascimento para a psicanálise moderna, que é representada com asas de borboleta.
No cristianismo a borboleta representa e simboliza a ressurreição.
Na mitologia grega, a personificação da alma é representada por uma mulher com asas de borboleta e segundo as crenças gregas populares, quando alguém morria, o espírito saía do corpo com forma de borboleta.
Por outro lado, no mundo sino-vietnamita a borboleta exprime a longevidade ou está associada ao crisântemo, o qual simboliza o outono, ou seja, a renovação, uma vez que no outono ocorre a queda das folhas.
Para os astecas e os maias, a borboleta simbolizava o deus do fogo Xiutecutli, o qual levava como emblema um peitoral chamado “borboleta de obsidiana” que simbolizava a alma ou o sopro vital que escapa da boca de quem está morrendo.
Os Balubas e os Luluas do Kasai, do Zaire central, também associam a borboleta com a alma. Para eles, o homem segue o ciclo da borboleta desde sua nascença até sua morte.
Na mitologia irlandesa, a borboleta simboliza a alma liberta de seu invólucro carnal, da mesma maneira que na simbologia cristã.
No Feng Shui, o uso de borboletas é considerado o mesmo que o uso simbólico de pássaros. Ambos, pássaros e borboletas, estão a voar livremente, e isto comunica com o desejo humano de uma vida livre e feliz perto do Paraíso. Uma vez que o Amor é o sentimento mais significativo que faz as pessoas “voar”, a borboleta é o símbolo mais comum usado como cura para o Amor e Romance no Feng Shui.
A imagem da borboleta também pode ser usada como cura temporária para qualquer área da vida que precise de transformação. Quando se enfrenta dificuldades em áreas especificas da vida, o ideal é tentar trazer a energia da borboleta para a área correspondente da casa ou quarto. A Borboleta bordada em toalhas é o presente perfeito para casais novos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

LIBÉLULA: SIGNIFICADO E SIMBOLOGIA

LIBÉLULA: SIGNIFICADO E SIMBOLOGIA

As libélulas são insetos muito especiais e elegantes, pertencentes à ordem Odonata, subordem Anisoptera, em torno dos quais gira uma lenda e muitos significados simbólicos.
O nome da libélula está ligado a algumas correntes de pensamento:
O nome seria derivado do termo latino “libra", que significa balança, isto porque enquanto voam, as libélulas parecem uma balança dado que se mantêm em perfeito equilíbrio.
Uma outra hipótese é a de que o nome tenha origem no termo latino 'libellum', diminutivo de liber, ou seja, livre. Mas este mesmo diminutivo estaria para "livro" porque suas asas em voo se parecem a um livro aberto
Desde sempre, a libélula é considerada um inseto mágico graças às suas asas que mudam de cor, a sua forma esbelta e a velocidade com que é capaz de voar e fugir de seus predadores.
Nasce de uma larva (ninfa) aquática (poças d’água, lagos temporários, zonas pantanosas, ribeiras ou riachos) e depois se transforma de maneira natural, assim como a lagarta se transforma em borboleta.

LIBÉLULA, A LENDA

Este inseto está frequentemente associado à transformação.
Diz a lenda que a libélula era um dragão muito sábio que, durante a noite, difundia a luz com sua própria respiração de fogo. Sua respiração teria criado a arte da magia e da ilusão. Um dia, no entanto, o dragão acabou sendo um prisioneiro de sua própria magia: para enganar um coiote se transformou em uma libélula, mas, ao fazê-lo, acabou ficando preso no novo corpo, perdendo todo o seu poder
 libélula lenda 2

LIBÉLULA, O SIMBOLISMO

De acordo com algumas tradições, a libélula é o símbolo da transformação e das mudanças diárias, mas também da introspecção que ensina a ir além das aparências para procurar sua identidade. Na cultura europeia, a libélula é vista como um símbolo da liberdade, da paz e da busca da verdade.
Dada a transformação da larva à libélula, o inseto também representa a transição da infância para a idade adulta e, portanto, em certo sentido, da superação das ilusões e da aquisição da consciência e do equilíbrio.
De acordo com os nativos americanos, a libélula era o símbolo de uma verdade oculta e o próprio inseto representava as almas dos mortos.
No Oriente, a libélula simboliza sorte, harmonia e prosperidade.
Os samurais tinham em seus capacetes a representação da libélula como esperança de vitória sobre o inimigo e como símbolo de força e coragem. E é esta a simbologia da libélula para os japoneses.
Vietnamitas associam o voo das libélulas à previsão de chuva.
libélula lenda 3
Mas este inseto teria também significados negativos.
 
Por exemplo, em contos suecos, o diabo pesava a alma das pessoas usando uma libélula.
 
Para os noruegueses a libélula “fura olhos” e para os holandeses a libélula “morde cavalo”. Na Europa a libélula muitas vezes é associada às bruxas enviadas por Satanás para criar confusão, e muitas vezes é chamada de "cortadoras de orelhas” ou “agulhas do diabo" por causa do seu corpo fino e longo.
 
Acredita-se que usar um pingente de libélula significa que está em curso uma mudança em sua vida ou que você está procurando seu próprio equilíbrio e controle mental.
 
Em resumo, o simbolismo da libélula varia entre significados positivos, como transformação, vitória, força, equilíbrio e criatividade, e negativos, como dúvidas, confusão e amizades ambíguas.A LIBELULA
INNO SORCY
CONTOS E LENDAS


Num lugar muito bonito, onde havia árvores, flores e um lindo lago...

Certo dia surgiu um casulo...

E quando ele se rompeu, de dentro saiu voando uma linda libélula.

E ela ficou tão encantada com o lugar, que voou por cada pedaçinho...

Brincou nas flores, nas árvores, no lago, nas nuvens...

E quando ela já tinha conhecido tudo...no alto de uma colina, avistou uma casa...

A casa do homem...e a libélula havia de conhecer a casa do homem...e foi voando pra lá....

E então, a libélula entrou por uma janela, justo a janela da cozinha...

E nesse dia, uma grande festa era preparada

Um homem com um chapéu branco...grande...dava ordens para os criados...

Mas a libélula não se preocupou com isso,

Brincou entre os cristais, se viu na bandeja de prata, explorou cada pedacinho daquele novo mundo...

Quando de repente, ela viu sobre a mesa...uma tigela cheia de nuvens!!!

E a libélula não resistiu, ela tinha adorado brincar nas nuvens...e mergulhou....

Mas quando ela mergulhou...ahhhhhhhh...aquilo não eram nuvens, e ela foi ficando toda grudada, e quanto mais ela se mexia tentando escapar...ahhhhhh mais ela afundava....

E a libélula então começou a rezar, e ela pedia ao Deus dos Insetos Voadores que a libertasse, fazia promessas e dizia que se conseguisse sair dali, dedicaria o resto de seus dias a ajudar os insetos voadores...e ela rezava e pedia...

Até que o chefe da cozinha começou a ouvir um barulhinho, e ele não sabia que era a libélula rezando e quando olhou na tigela de claras em neve...arghhhh um inseto!!! E ele pegou a libélula e a atirou pela janela...

A libélula então, se arrastou para um pedacinho de grama, e sob o sol começou a se limpar...e quando ela se viu liberta...ahhhhh ela estava tão cansada que se virou pra Deus e disse:

- O Senhor, eu prometi dedicar o resto de minha vida a ajudar os outros insetos voadores, mas agora eu estou tão cansada, que prometo cumprir minha promessa a partir de amanhã...

E a libélula adormeceu...

Mas o que ela não sabia, e você também não sabe, é que as libélulas vivem apenas um dia...

E naquele pedacinho de grama, a libélula adormeceu, e não mais acordou...                                                

Libélulas nos transmitem essas 6 mensagens espirituais:

Libélulas simbolizam transformação e iluminação. A libélula é o emblema nacional do Japão que simboliza alegria e renascimento.

É o símbolo das almas abandonadas dos nativos americanos. E representa a deusa da criatividade dos Maias, Ix Chel. Acredita-se que ela foi trazida à vida com as asas da libélula e músicas mágicas.
Existem várias tradições associadas às libélulas, como podemos ver. Mas além disso, elas nos transmitem mensagens espirituais.

Você tem visto libélulas ultimamente? Atente-se para essas 6 mensagens que elas nos trazem:

1. Mudanças e transformação

Quando uma libélula aparece em sua vida, significa que você precisa fazer uma mudança. Elas nos convidam a desenvolver e alcançar nosso verdadeiro potencial na vida. As libélulas mudam de cor quando amadurecem. Nós também temos a capacidade de adaptação para as fases da vida que se abrem para nós a cada momento.

2. Adaptabilidade

As libélulas têm padrões de voo únicos, que lhes permitem mudar de direção, rapidamente e basicamente, sem nenhum esforço. Isso nos lembra do poder da adaptabilidade. Sempre que estiver preso em uma situação complicada, lembre-se das libélulas e adapte-se para evoluir.

3. Alegria e leveza

Libélulas são animais leves e que nos inspiram a agir com tranquilidade, mesmo em momentos difíceis. A leveza é uma prática, e com o tempo você pode senti-la em seus pensamentos e sentimentos, o que também o tornará mais positivo e alegre com a vida.

4. Conhecimento das próprias emoções

Quando as libélulas se mostram para você, é porque você precisa interpretar suas emoções de forma mais leve e alegre. As libélulas estão sempre ao redor da água, e isso simboliza o reino das emoções, pois a água é um simbolismo das emoções e do inconsciente.

5. Atenção a ilusões e enganos

Se você recebe um chamado de libélulas, é porque precisa mostrar suas verdadeiras cores e brilhar. Tente desenvolver uma visão mais profunda, para enxergar além das ilusões e superficialidades do mundo e das pessoas.

6. Conexão aos espíritos da natureza

Libélulas podem ajudar com a conexão aos espíritos da natureza, pois são animais espirituosos trabalhando com o poder da luz. Se libélulas aparecem para você, é um convite a explorar a magia da natureza e dos animais.
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Direitos autorais  da imagem de capa: skynavin / 123RF Banco de Imagens       

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

10 alimentos para reduzir os níveis de açúcar no sangue

10 alimentos para reduzir os níveis de açúcar no sangueDiabetes, como a maioria já deve saber, é uma doença crônica muito comum.
A principal causa está na má alimentação e na vida sedentária.
O problema, se não tratado, pode danificar vários órgãos.
A doença surge devido à deficiência de um hormônio secretado pelo pâncreas, chamado insulina.
A insulina tem a função de armazenar glicose, ácidos graxos e aminoácidos em seus depósitos para diminuir a concentração de açúcar no sangue.
Existem dois tipos de diabetes:
1. O diabetes tipo 1:
 a deficiência de insulina é causada pela autodestruição imune das células que a produzem.
Compreende 3 a 5% de todos os casos de diabetes e surge normalmente na infância ou adolescência.
2. Diabetes tipo 2: é causada por um defeito na liberação de insulina pelo pâncreas ou na resistência de tecidos a esse hormônio, como músculo, cérebro e fígado.
A dieta é a chave para um diabético viver bem.
Pensando nisso, resolvemos apresentar 10 alimentos que ajudam a diminuir o açúcar no sangue. Veja:
1. Aveia
Contém fibras e uma grande quantidade de nutrientes, como magnésio, ácido fólico e ômega-3 em seus componentes.
Além disso, contém componentes químicos de natureza vegetal, como lignanas e flavonoides, que contribuem para a prevenção de várias doenças crônicas, como hipertensão, colesterol alto e diabetes.
O consumo aveia é muito importante para prevenir o diabetes.
2. Azeite de oliva
O azeite de oliva tem uma grande quantidade de antioxidantes e gorduras monoinsaturadas.
Por isso, é tão especial em relação aos outros tipos de óleos.
Ele pode diminuir os níveis de glicose no sangue e até ajudar a perder peso, lembrando que a obesidade é uma das principais causas de diabetes.
A melhor escolha é o azeite de oliva extravirgem, pois contém mais de 30 agentes antioxidantes e anti-inflamatórios.
Você só precisa usá-lo nas saladas (ele é melhor quando não aquecido).
3. Nozes e amêndoas
Nozes e amêndoas são ótimas para os diabéticos.
Isso porque elas contêm gorduras naturais necessárias para o nosso corpo, como fibras e vitamina E - que ajudam a manter níveis estáveis de glicose no sangue e boa função cardíaca.
O ideal é que os diabéticos deixem as nozes de molho num copo de água antes de dormir, a fim de evitar a ação de seus inibidores enzimáticos.
4. Iogurte
Uma boa opção para os diabéticos pode ser o consumo de iogurte natural baixo teor de gordura e sem nenhum açúcar.
Assim, é possível satisfazer as necessidades de cálcio, perder peso e diminuir a resistência à insulina de forma natural.
Ele pode ser consumido com cereais, frutas ou sozinho.
5. Canela
A canela é simplesmente maravilhosa!
Ela contém vários componentes que atuam sobre o metabolismo de carboidratos e colesterol, promovendo a redução e o armazenamento correto de açúcar no sangue.
Para desfrutar de suas propriedades, você pode beber um chá.
Se não tiver a canela em pau, basta adicionar uma colher (chá) de canela em pó numa xícara de água quente.
6. Feijão branco
Este alimento é rico em fibras e minerais, como magnésio e potássio.
Como ele retarda o processo de digestão, facilita a estabilização dos níveis de glicose no sangue.
7. Batata-doce
Ela é rica em antioxidantes, como betacaroteno e vitaminas A e C, que podem ser trocados por batatas regulares pelo índice glicêmico inferior. ***
Ela deve ser consumida com a casca, pois é onde está a maioria dos nutrientes.
8. Folhas verdes
Consumir folhas verdes é bom para a saúde de todo mundo, principalmente dos diabéticos.
Isso porque elas têm uma taxa muito baixa de calorias e carboidratos e altos níveis de minerais, fibras e vitamina C.
E o que isso significa?
Que as folhas verdes contribuem para a diminuição dos níveis de glicose no sangue.
Legumes como rúcula, acelga e repolho são ótimas opções.
9. Peixe
Ômega 3 é um ingrediente maravilhoso na dieta de diabéticos e pessoas com problemas cardíacos.
Por isso, se for o seu caso, invista no consumo de peixe.
O peixe é uma fonte muito rica em ácido graxo, além de ter muita proteína, o que o torna um substituto excelente para carnes.
Comer peixe duas vezes na semana já é o suficiente.
10. Frutas vermelhas
Estamos falando de frutas, como amora, framboesa, morango...
Elas são ótimas quando o corpo pede doce.
Além de terem um baixo índice glicêmico, estas frutas são ricas em vitaminas, fibras e antioxidantes, que ajudam a prevenir câncer, hiperglicemia e doenças cardíacas.
Este é um blog de notícias sobre tratamentos caseiros. Ele não substitui um especialista. Consulte sempre seu médico.

domingo, 12 de agosto de 2018

'Minha Vida de Menina' de Helena Morley: Resumo e Análise

Um diário escrito por uma adolescente entre seus 13 e 15 anos, na cidade de Diamantina (MG), no fim do século XIX. É assim que se apresenta a obra Minha vida de menina, de Helena Morley – pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant -, publicado em 1942.
  • A autora
Helena Morley foi uma escritora brasileira que nasceu em Diamantina, Minas Gerais, no ano de 1880. Seu nome de batismo é Alice Daurell Caldeira Brant. Ela frequentou a Escola Normal e no ano de 1900 casou-se com Augusto Caldeira Brant, com quem teve seis filhos. Viveu durante 90 anos, falecendo no Rio de Janeiro.
Foi escritora de uma única obra, Minha vida de Menina, que já foi traduzida para o francês, Inglês e Italiano. Essa obra teve uma repercussão significativa, conseguindo a atenção e a reflexão de importantes escritores, como Raquel de Queiróz, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e outros.
  • A obra
O livro, Minha vida de Menina, trata-se de um diário escrito por Morley durante os seus 13 e 15 anos, mas somente publicado em 1942, quando a autora expressou o desejo de deixar para as netas e parentes suas lembranças e experiências da época de menina, possibilitando-os, assim, a identificarem as diferenças entre a vida atual de sua família e a então vida simples experienciada por ela no passado.
A obra é narrada em primeira pessoa, apresentando uma narradora-personagem que mostra sua visão dos acontecimentos que moviam o cotidiano de Diamantina. Assim, a autora narra sobre festas populares, supertições, causos de parentes, comidas e bebidas típicas, narra sobre a escravidão, sobre o convívo familiar, fala sobre esperanças futuras etc., organizando tudo em uma sequência cronológica, apesar de muitos eventos não terem relação entre si.
Alguns nomes de parentes e conhecidos são trocados por pseudônimos para evitar desentendimento com os envolvidos nos fatos narrados. Assim, o pai, Felisberto, na obra é chamado de Alexandre e a mãe, Alexandrina, é chamada de Carolina.
Além de narrar os fatos, a autora tece também comentários e críticas sobre os acontecimentos, apresentando sua visão de mundo e deixando claro que possui opinião crítica sobre o que lhe acontece.
→ O tempo e o espaço
Os acontecimentos tem como pano de fundo o Brasil entre os anos 1893 e 1985, onde acabava de ocorrer a abolição da escravatura, e a Proclamação da República era ainda um fato recente, quando a autora mostra ser um momento de mudança tanto pessoal quanto nacional.
Assim, é possível verificar em sua escrita a presença de experiências e reflexões sobre a constituição social da época, apresentando o patriarcalismo escravocrata, as regras estabelecidas pela escola, pela igreja, como as relações de trabalho se estabeleciam, a exclusão econômica etc.
Os fatos são narrados, predominantemente, dentro da cidade de Diamantina, Minas Gerais, em fins do século XIX, local onde a autora nasceu e viveu, época caracterizada também pelo declínio do diamante. É, portanto, um espaço que mistura a vida urbana/mineração e a vida familiar, fazendo reflexões desde os conselhos dados pelo pai até as relações sociais, o que mostra o seu processo de constituição feminina.
→ A narradora-personagem
Helena aparece como a própria autora e personagem protagonista de sua obra e traz uma retomada muito próxima dos acontecimentos vividos durante a sua infância. Ela nos revela que o início de seu diário surgiu de um conselho de seu pai para que escrevesse o que lhe ocorria, ao invés de compartilhar com as amigas. Ela mostra, inicialmente, uma insatisfação ao seguir tal conselho, mas, porteriormente, ao viver decepções com quem compartilhava suas experiências, começa a dar razão ao pai.
Dessa perspectiva é possível observar uma personagem observadora e crítica de sua realidade, mostrando, muita vezes, uma visão inconformada dos fatos que circundam sua vida familiar.
Por se apresentar assim, nota-se um processo de crescimento e amadurecimento da personagem, que é influenciado tanto por fatos internos (reflexões, sentimentos, posicionamento crítico) quanto por fatos externos (imposições e regras da Igreja e da escola etc). Assim, há um amadurecimento na forma de pensar, agir e sentir da jovem, que a obriga a encarar os desafios da vida adulta e a assumir as responsabilidades de sua forma de ser.
De caráter inovador, já que, ao pensar sobre seu contexto, Helena propunha-se agir para modificá-lo, ela é vista muitas vezes como alguém que está além de seu tempo, pois ironiza, critica e se sente inconformada com o que lhe ocorria. Com isso, o leitor tem a possibilidade de participar de sua evolução, percebendo as mudanças em sua visão e atuação no mundo.
→ Estrutura Textual
O gênero narrativo diário é caracterizado por uma estrutura que apresenta fatos cotidianos muito próximos do momento que ocorreram, ou seja, é uma reconstituição de experiências do dia a dia do narrador. Assim, esses fatos muitas vezes não possuem relação entre si e podem, inclusive, ficar inacabados, mostrando uma narrativa que se aproxima mais do momento presente da ação.
O diário é o interlecutor do narrador-personagem, mostando sua existência e confidência.
Possui, como princípio para a escrita, uma data que o caracteriza como caderno de anotações e, por isso, a narrativa mostra maior precisão e fidelidade no registro dos fatos.

Personagens – ‘Minha Vida de Menina’


Alexandre – pai de Helena.Trabalhava na lavra de diamante, o que não dava muito lucro. Neto de inglês, o pai adota uma ética protestante, não censura, apenas aconselha.

Aurélia e Conrado – tios de Helena, abastados financeiramente. A menina sente inveja de seus primos porque eles não precisam fazer tarefas domésticas, podem apenas estudar. Mas, quando lembrava do enojamento da casa deles, deixava de lado essas ideias.

Carolina – mãe de Helena. Extremamente apegada ao marido, não tinha pulso firme com as crianças. Possui o ‘riso solto’, assim como as meninas. Em matéria de religião é fervorosa. É trabalhadora e possui certa consideração social.

Geraldo – tio de Helena. Filho mais velho e predileto de D. Teodora. Tem situação financeira muito boa, o que faz ser visto como orgulhoso.

Helena – autora do diário. Branca, alta, magra e esfomeada. Era chama de águia pelas tias, isso porque era manipuladora. Muito independente, a menina também é irônica, desafiando a ordem patriarcal vigente. Nem a igreja é perdoada, já que ela critica padres fofoqueiros.

Helena não constrói uma imagem boazinha de si. Seu caráter não é perfeito. Aproxima-se do anti-heroísmo pícaro. ‘Ela é individualista, familiar, rebelde, esclarecida, amiga dos festejos e alérgica a disciplina, critica a superstição, as fumaças de grandeza e o preço dos preconceitos e ignorância’. (Palavras de ROBERTO SCHWARZ).

Luisinha – irmã de Helena. Não tem voz na narrativa. Apelido: pamonha.

Madge – tia de Helena, irmã de seu pai. Sempre dá livros para sua sobrinha, tentando passá-la uma educação britânica, no entanto a menina não absorve as lições morais. Protege Helena, mas ainda a vê como menina, quando esta quer ser vista como moça.

D. Teodora – avó de Helena. Tem 83 anos no período do diário. É proprietária rural, possui muito dinheiro e vive ajudando os pobres. É obesa e tem enormes dificuldades de locomoção. Tem autorização do padre para acompanhar da residência os sacramentos, o que revela sua importância social.

Análise Crítica

Minha vida de menina faz um sincretismo entre as propostas das literaturas das décadas de 1890 e de 1930. Cumpre o ideal do Realismo, de olhar sem idealização para a sociedade. E realiza o desejo do Modernismo de abordar, em linguagem despida de formalidade, a identidade nacional.

Linguagem – a obra possui uma linguagem familiar, marcada pela afetividade e por expressões como “Valha-me Deus”, ou “A quem você saiu com estas ideias…”. A característica dessa linguagem é a que a narradora expressa o comportamento linguístico de cada uma das pessoas que vive ao seu redor.

Metalinguagem – recurso constante na obra. Ato de falar sobre a própria escrita. “Eu estava com a pena na mão pensando o que havia de escrever, pois há dias não acontece nada”.

Pobreza – Helena mostra sinais de pobreza tanto na sua família quanto na sua cidade, Diamantina.

Escravismo – Helena escreveu escreveu seu diário em um período imediatamente posterior à Abolição da Escravatura. O livro mostra que o regime foi abolido por lei, mas não na memória dos brasileiros. A notícia chega à Chácara de Dona Teodora, os negros fazem uma enorme festa, mas D. Teodora intervém acabando com a algazarra, exigindo respeito na sua propriedade, lembrando que a liberdade viera para ela. E ainda disse que quem quisesse farra que fosse procurar seu canto. Os festejantes pediram desculpas, permanecendo a trabalhar para ela.

Racismo – o livro mostra inúmeros casos de racismo. Siá Ritinha vive impedindo que Helena brinque com ‘colegas escuras’. Mas a menina parece ter simpatia com os negros:

“Como se pode ser tão bom como o nosso professor Dr. Teodomiro. Depois meu pai ainda diz que a gente escura não presta. Na Escola, pelo menos os melhores são ele e o seu Artur Queiroga. Os brancos são crus de ruindade.”

Da mesma forma sua mãe, que reclama pelo fato de Helena querer cuidar da filha de um criada. “Penso que se a menina fosse branquinha mamãe não se incomodaria”.

Religiosidade – o catolicismo marca o caráter brasileiro. E religião é vista como salvação, literalmente. Nos momentos de desespero econômico ou acadêmico (obter notas), recorre-se a rezas e novenas.

Superstições e Crendices – o livro traz uma infinidade de superstições e mostra a força das crendices em nossa sociedade. “Todos sabem que superstição é pecado, mas preferem levar o pecado ao confessionário a fazerem uma coisa que alguém diz que faz mal”.

Provérbios – os ditados populares são muito utilizados. Ex: ‘Quem dá aos pobres empresta a Deus’, ‘Os dedos da mão não são iguais’, ‘Casamento e mortalha no céu se talha”.

Desejo de Ser Homem – Helena é apaixonada pela liberdade, mas se sente barrada por ser menina. Quando a menina conta que uns rapazes fizeram maldades na festa que sua avó deu aos empregados ela diz: “eu desejei ser um homem para me vingar por vovó!”.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade


PARA ENTENDER A OBRA
Claro Enigma
, publicado em 1951, apresenta um poeta desiludido com o mundo, que na época estava dividido entra capitalistas e socialistas, e questionador da existência,  partindo da própria dualidade contrastante como princípio para a dúvida. Seu estilo remonta ao clássico, com métrica e rimas bem trabalhadas. Este resumo destina-se a contar o livro em uma linguagem mais acessível e concisa, sem deixar de lado os episódios que sustentam a obra como um todo e explicando alguns pontos que podem não ficar claros apenas com a leitura do texto original. Em alguns casos, para explanações mais completas sobre fatos históricos e expressões da época, há links que podem ser acessados diretamente no texto. Principais características de Claro Enigma
A obra e o Modernismo:
A linguagem utilizada nos poemas de Claro Enigma é culta, elevada, destoando da proposta moderna de aproximar a linguagem literária da linguagem coloquial, forçando você a consultar o dicionário com frequência.

Da mesma forma, os poemas de Claro Enigma, na sua maioria, retomam as formas clássicas da poesia, como a estrutura de Soneto, os versos com rimas e métricas regulares, além de elaborados recursos linguísticos.

Claro Enigma se caracteriza como uma das obras mais eruditas e herméticas (de difícil leitura) de Drummond. Dessa forma, ter paciência e persistência é fundamental para a abordagem destes poemas, somados à observação do contexto histórico e das características de estilo apresentadas acima.

Claro Enigma é composto por 41 poemas divididos em seis partes.

ENTRE O LOBO E O CÃO
O título “Entre Lobo e Cão”, traduz a ideia de uma luz crepuscular a qual ilumina de  maneira indefinida causando confusão entre os dois animais. Indecisão, sendo que o lobo é um animal que não cria convivência com seres humanos, e o cão por sua vez é um animal companheiro do homem. (Aproximação  x isolamento)  endo a seção mais extensa da obra, Entre Lobo e Cão tem por intenção expor a oscilação, o extremismo: de um lado o cão, amigo do homem, animal domesticado e fiel; do outro o lobo, animal totalmente avesso ao convívio social, altamente desconfiado e predador por natureza. Como se Drummond tivesse a necessidade de escolher entre a companhia e a solidão, a alegria e a melancolia. Os poemas dessa seção trazem grande tom de negativismo, decepção e luto.
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 Dissolução
Em dissolução, é possível extrair um sentimento de imobilidade do eu lírico frente à escuridão. Este recebe a noite sem qualquer perspectiva, um vazio existencial.
Cita uma “rosa pobre definitiva”, entendida como falta de esperança sobre um futuro amanhecer.
Remissão
”Remissão” é sinônimo de “perdão”. O envelhecimento do homem nesse trecho é bem
retratado, o tempo que causa perdas inevitáveis aos seres. Composto por versos decassílabos que revelam um eu lírico descrente e pessimista em relação à sua existência. Vocabulário clássico.
A Ingaia Ciência
A arte poética na cultura provençal era chamada de “Gaia Ciência”, tendo relação com
a alegria de obter a sabedoria. Drummond acrescenta o prefixo propositalmente (INgaia)
mudando o sentido e expressando sua opinião sobre o desprazer que é obter maturidade,
e o quanto isso torna o mundo infeliz. A “cela” citada, é a ideia de um mundo “quadrado”, sem olhar para novos horizontes. Vocabulário clássico e versos
decassílabos.
Legado
Drummond questiona a sobrevivência de suas poesias, falando sobre seu país do qual guarda inúmeras lembranças e de este que nunca se recordará dele. Orfeu, deus da
mitologia grega, é citado em contraste com a aparição “monstros atuais”
que são entendidos como opostos de Orfeu, os quais compreendem poesias como tristes e incertas.
Promove uma intertextualidade com um poema de sua autoria: Meio do caminho. “De
tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, restará, pois o resto se esfuma, uma
 pedra que havia em meio do caminho.”

Confissão
Intertextualidade com um dos 10 mandamentos: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. A poesia não pede por perdão, apenas supõe que a f
alta de preocupação com o  próximo trouxe a si mesmo vazio e falta de carinho recebido. Sente peso por não ter criado para si uma realidade mais afetuosa.

Notícias Amorosas
Seção dedicada ao tema romântico, mas focado no amor desencontrado, amor de sofrimento e contemplação, de admiração e dificuldade, o amor que se encontra próximo e distante, facilmente tocável e dificilmente conquistável. É retratado nos poemas como uma condição humana, da qual não se pode fugir, mesmo que aparentemente não seja atraente ou sedutor.

O Menino e os Homens
Dando continuidade ao tom negativo e pessimista, Drummond permeia essa seção com poemas memorialísticos, relembrando irmãos, amigos e entes falecidos. Foca-se o antagonismo da presente no destino do ser humano. A mor e a vida como duas iminentes e antagônicas faces da vida. A morte é retratada como um destino certeiro, ao qual todos estamos condenados desde o nascimento. Nas entrelinhas fica o questionamento do autor: como aproveitar a vida lidando com a proximidade de seu fim?

Selo de Minas
Seção confessamente autobiográfica. Divide-se entre a família Drummond e o Estado de Minas. Traça o percurso dos caminhos mineiros, em especial a Minas existente no período colonial. Lamenta a destruição que as calamidades naturais e o tempo exercem sobre as casas e patrimônios de Ouro Preto, utilizando o desmoronamento das casas como uma alusão à sua própria história.

Lábios Cerrados
O ato de cerrar os lábios é utilizado como sinônimo de mudez, silêncio. Por ser uma seção que retrata a memória da família de Carlos Drummond de Andrade, é visto como um silêncio da memória, em especial nas lembranças de seu pai. Seguindo o negativismo e pessimismo quase enlutado da obra, é feita uma profunda reflexão sobre a aceitação da morte e sua ligação com o tempo, o prometido remédio para todas as dores emocionais e psicológicas. Discorre sobre as pessoas que partiram, mas que sobrevivem eternamente em lembranças. O presente que insiste em estar preso ao passado. A ausência e presença dos conhecidos que já faleceram.

A Máquina do Mundo
Como última seção do livro, discorre sobre o homem e sua estadia no mundo. Todas as interrogações feitas na obra estão presentes nessa seção, onde as soluções são oferecidas e prontamente recusadas, pois para o poeta, ‘são os questionamentos que movem a vida’. Nessa parte do livro encontra-se um poema com o mesmo nome da seção, o qual foi eleito o maior e melhor poema do século XX. Desde a Antiguidade até a Renascença esteve presente a ideia de que o mundo era, de fato, uma máquina. No poema, essa máquina se abre para o autor e lhe oferece uma “total explicação da vida”. Se por muito tempo ele havia buscado respostas para suas indagações sobre a vida, a morte e o mundo, agora desdenhava enigmaticamente do que poderia descobrir. Para Drummond, as respostas não eram mais desejadas, e sequer eram acreditadas como uma possibilidade. Essa explicação era vista por ele como um novo mergulho em uma ilusão, utilizando de sua ironia e liberdade para se justificar e seguir lidando com as indagações que o atormentavam.

Perguntas em forma de cavalo-marinho
O título é metafórico devido ao formato do cavalo-marinho e o do ponto de interrogação que são semelhantes em suas curvas. É feita uma série de questionamentos sobre a própria existência em versos. A primeira estrofe interroga a métrica e forma do ser, diferente da terceira que formam perguntas mais abstratas (memórias e desejos). Versos tetrassílabos.
Os animais do presépio
Composto por versos brancos de 6 sílabas. Possível identificar o eu lírico criando relações com os animais devido aos seus traços de personalidade e enxerga isso como algo positivo. Em certos trechos expressa que quando se limita, assemelha-se à um burro, quando se concentra, à um boi (representa sabedoria, paciência).
Sonetilho do falso Fernando Pessoa
Fernando Pessoa é conhecido pela criação de seus heterônimos (falsas identidades) o que foi exatamente o ponto de critica nesse trecho de Drummond. Oposição de ideias é a composição dos versos (nasci x morri). São chamados oximoros estas contraposições existentes, significados opostos lado a lado, os quais criam um  paradoxo que reforça o significado das palavras combinadas. As trocas de ideias são  proporcionais às trocas de personalidade de Fernando Pessoa. O tal Fausto citado, é pertencente à uma lenda alemã na qual este cede sua alma ao diabo, Mefisto, também citado, em troca de não envelhecer. Pode ser interpretado como uma morte que trouxe a vida, assim como os heterônimos.
Um boi vê os homens
 Neste poema, o boi observa e descreve o homem de uma maneira bem desequilibrada. Aspectos negativos como crueldade, agitação, vazio e sentimentos difíceis de serem domados (ciúmes, desejo e amor), são identificados nestes seres pelo boi. Um dos únicos poemas de versos livres, que talvez para Drummond, tenha sido mais adequada para um boi.
Outros títulos como “Conversa de Bois” (de Sagarana de Guimarães Rosa), já
 trabalharam essa serenidade do animal e sua pessimista observação acerca do homem.
Memória
O poema revela a confusão de um individuo que ama algo que já existiu, porém não existe mais. Um coração que não assimilou ao que se perdeu e persiste em continuar com as memórias.
Drummond coloca a palavra “Não” (maiúscula) como uma representação, não apenas
uma negação, mas uma forma do NADA, do não ser.
 A Tela Contemplada
As emoções do pintor podem ser entendidas quando dito: “sangue vago”, “tédio” e “sem paixão”.
 Uma relação forte com o parnasianismo, que tanto as representações artísticas como poesias revelavam-se frias e indiferentes às emoções. Mostra-se ciente de sua solidão, e em sua obra elimina qualquer vestígio de vida animal ou humana
Ser
Em 1926, Drummond perde seu filho recém-nascido o qual criou grande afeto mesmo sem ter tido vivência. Na obra, deixa claro que ele continuará em sua memória definitivamente, “
Às vezes o encontro num encontro de nuvem”.
 Caso não tivesse ocorrido a tragédia, imagina a possibilidade de seu filho estar se tornando um homem àquela época.
Contemplação do Banco
Reflexão sobre o mundo, assim como em poemas neoclássicos, essa reflexão ocorre em determinado lugar e sobre as coisas que contém nele. Alude e cita algumas vezes um solo pobre (realidade), onde estão surgindo brotos.
Trecho: “ó quimera que sobes do chão batido e da relva pobre”, pensamento
considerado metafórico sendo que a flor pode ser, por exemplo, a transformação para melhor de um homem, ou talvez um pensamento novo, aberto à novos horizontes, abrangente em sociedade ou não.
Sonho de um Sonho
 No poema, sugere que está tendo três sonhos sobrepostos. Sonhou que estava sonhando um sonho. Cita ter sido um sonho que não acontecia no interior da mente apenas, mas fora desta
uma “realidade”, como se o sonho não fosse um sonho, “...sonhando, Que não sonhara...”.
 Gradualmente, o sonho límpido vai se transformando em treva, como se estivesse aos  poucos desenganado sua mente e voltando a realidade

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